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HÁ SENTIDO NA EXISTÊNCIA?

  • Foto do escritor: Kalebe Ulle
    Kalebe Ulle
  • 14 de fev. de 2023
  • 8 min de leitura

Atualizado: 27 de jun. de 2024

“Disse comigo: vamos! Eu te provarei com a alegria; goza, pois, a felicidade; mas também isso era vaidade. Do riso disse: é loucura; e da alegria: de que serve? Resolvi no meu coração dar-me ao vinho, regendo-me, contudo, pela sabedoria, e entregar-me à loucura, até ver o que melhor seria que fizessem os filhos dos homens debaixo do céu, durante os poucos dias da sua vida. Empreendi grandes obras; edifiquei para mim casas; plantei para mim vinhas. Fiz jardins e pomares para mim e nestes plantei árvores frutíferas de toda espécie. Fiz para mim açudes, para regar com eles o bosque em que reverdeciam as árvores. Comprei servos e servas e tive servos nascidos em casa; também possuí bois e ovelhas, mais do que possuíram todos os que antes de mim viveram em Jerusalém. Amontoei também para mim prata e ouro e tesouros de reis e de províncias; provi-me de cantores e cantoras e das delícias dos filhos dos homens: mulheres e mulheres. Engrandeci-me e sobrepujei a todos os que viveram antes de mim em Jerusalém; perseverou também comigo a minha sabedoria. Tudo quanto desejaram os meus olhos não lhes neguei, nem privei o coração de alegria alguma, pois eu me alegrava com todas as minhas fadigas, e isso era a recompensa de todas elas. Considerei todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também o trabalho que eu, com fadigas, havia feito; e eis que tudo era vaidade e correr atrás do vento, e nenhum proveito havia debaixo do sol.”

Eclesiastes 2:1-11


“Disse comigo: eis que me engrandeci e sobrepujei em sabedoria a todos os que antes de mim existiram em Jerusalém; com efeito, o meu coração tem tido larga experiência da sabedoria e do conhecimento. Apliquei o coração a conhecer a sabedoria e a saber o que é loucura e o que é estultícia; e vim a saber que também isto é correr atrás do vento. Porque na muita sabedoria há muito enfado; e quem aumenta ciência aumenta tristeza.”

Eclesiastes 1:16-18




Tais afirmações carregam um peso bem grande. O pregador sugere uma vida abastada e “aproveitada ao máximo” - alguém que “desfrutou” de cada um de seus dias atrás de seus sonhos, desejos e prazeres. Um homem que não negou nada a si mesmo, e tudo o que desejou, isto também possuiu.


Hoje, se analisássemos linhas filosófica, modernas e antigas, do sentido pelo qual deve-se viver, é muito provável que grande parte delas apontem para um estilo de vida semelhante ao do pregador descrito acima. Seja uma busca pela felicidade (como sugeria Aristóteles), uma dedicação ao prazer e aos desejos (inferida por Epicuro), ou ainda uma ascendência as virtudes (como afirmava Sócrates), só para citar alguns.


Por fim, de uma forma ou de outra, o pregador dedicou-se ao prazer atendendo todos os seus desejos em busca da felicidade e, debaixo de muito conhecimento e sabedoria - certamente era um homem virtuoso. Mas fato é que, no final, mesmo vivendo uma vida modelo segundo o que faria sentido para a maioria dos pensadores (sejam eles  recentes ou bem antigos), este homem experimentou um profundo sentimento de desilusão. Sua mera conclusão foi a de que o homem deveria apenas aproveitar bem sua vida, pois ela logo passaria, já que não há sentido algum para qualquer coisa que os homens façam debaixo do sol.


Felizmente o pregador acreditava em Deus e o único sentido que a vida parecia ter para ele consistia no temor do Senhor. Pois este, ainda que desiludido com a vida que já não era capaz de lhe dar felicidade, aconselha em conclusão:


“Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais dirás: Não tenho neles prazer… De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem. Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras, até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más.”

Ec 12:1,13 e 14



Contudo, quando Deus não faz parte do nosso conceito sobre a existência, todo tipo de sentido humanista para a vida, possui um caráter terminal niilista (como apontado por Nietzsche), quer sejamos capazes de admitir ou não. Se o motivo de nossa vida não transcende nossa própria existência como seres humanos, então a própria subjetividade da existência revela nossa falta de propósito. O Niilismo é o resultado final e inevitável do pensamento humanista sincero sobre a vida.

   

(O niilismo foi a conclusão óbvia de Nietzsche sobre o mundo a sua volta. Sendo ateu, foi consistente com seu posicionamento e não roubou dos princípios teístas para construir sua cosmovisão. Pelo contrário, racionalmente descobriu que se Deus não existe, então a vida é vazia, subjetiva e sem propósito externo, já que não foi projetada)



Há ainda outro pensador ateísta chamado Arthur Schopenhauer, que descreve a vida de forma muito semelhante ao pregador em Eclesiastes. Ele diz:


“A vida é uma constante oscilação entre a ânsia de ter e o tédio de possuir.” 


Para o pregador, tudo não passava de vaidade e por fim era como correr atrás do vento. Uma vida vazia e insatisfeita que o direcionou a desilusão, assim como Schopenhauer também descreveu. Faltava algo que preenchesse o sentimento de futilidade e inutilidade da existência humana com algum sentido capaz de nos levar à felicidade que somente o cumprimento de um propósito nos proporcionaria.


Mas excluindo Deus da equação, os seres humanos tornam-se por consequência um fruto do acaso, sem sentido e sem propósito. Já que o sentido existe para quem tem para onde ir, quem não vai a lugar algum não precisa de sentido! Da mesma forma, o propósito é designado para algo ou alguém projetado, fruto de um planejamento específico e estratégico, mas acidentes não possuem finalidade.


Sendo assim, procurar sentido ou propósito na vida não seria sequer racional em um mundo sem Deus. E uma vida sem sentido é o cerne principal do pensamento niilista. Percebe a inevitabilidade desta conclusão? Qualquer ateu honesto com suas próprias crenças chega a essa mesma conclusão. Negar a existência de um Criador torna a nossa existência acidental e sem propósito em si mesma.


Deus, por transcender nossa existência e ser o designer da mesma, é responsável por determinar função, propósito e sentido. A título de exemplificação, observemos um objeto qualquer como uma tesoura. Tal aparelho foi especificamente desenvolvido para cortar. Sendo assim, quando utilizado para sua função determinada, produzirá completude.


No entanto, esta mesma tesoura, agora utilizada para martelar pregos na parede, com certeza será ineficiente e ainda que milagrosamente termine o trabalho - estará destruída e não completa. Da mesma forma, nós jamais encontraremos completude enquanto estivermos vivendo sem sentido ou no sentido errado! A sensação de plena satisfação (completude) só será possível quando entender-mos nosso verdadeiro propósito de viver - e somente Deus (o designer) pode revelar-nos o verdadeiro sentido da vida, já que fomos projetados por Ele.


Portanto, não gastemos nossos dias atrás de dinheiro, poder, títulos, prazeres, entretenimentos. Pelo contrário, concentremos nossos esforços para conhecer e ser o que Deus nos designou para que fossemos. Somente isso nos fará verdadeiramente completos.


Quanto tempo gastamos em contato com aquele que nos projetou? Quanto tempo gastamos com as Escrituras que nos deixou? E quanto tempo gastamos com distrações que não significam nada além de vaidade?





Agora, depois de apresentar tudo isso, pergunto… Qual então é então o sentido geral da existência humana?


Como já afirmei acima, um olhar ateísta sincero é incapaz de apontar um sentido válido para a existência humana que o transcenda, seja através da abolição dos desejos ou da incessante busca por eles - tudo se resume a busca por completude fadada à desilusão.


A cosmovisão cristã, por outro lado, apresenta um sentido geral para a vida humana com algumas ramificações. Desde de Genesis até Apocalipse, podemos perceber um Deus que anseia por relacionamento conosco, e ao criar-nos como seres livres - com certeza nos fez para esse propósito.


“E será que, antes que clamem, eu responderei; estando eles ainda falando, eu os ouvirei.”

Is 65:24


“Andarei entre vós e serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo.”

Lv 26:12


“E me farão um santuário, para que eu possa habitar no meio deles.”

Ex 25:8


“Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima…”

Ap 21:3 e 4a


Fomos devidamente e propositalmente projetados como seres relacionais. Tudo a nosso respeito enquanto parte da criação remete ao propósito principal: relacionamento! Deus falou com homens individualmente, falou com homens por meio de seus profetas, tirou o povo da escravidão e deixou claro seu propósito quando disse: “vocês serão meu povo e eu serei o seu Deus!”. Depois foi ainda mais claro quando instituiu o tabernáculo - já que a própria mensagem do tabernáculo se consumaria em Cristo que veio “tabernacular” entre nós, em forma de homem.


Mesmo assim, como se tudo ainda não estivesse evidente após a morte e ressureição do Seu Filho Primogênito, comprando para Deus todos aqueles que estavam escravos do pecado e trazendo de volta a possibilidade de se achegarem novamente para perto de Dele, enviou o Seu Espírito Santo como selo do seu amor para habitar dentro de nós, e para que pudéssemos finalmente desenvolver de novo um relacionamento de proximidade em santificação e honra diante do Senhor.


A possibilidade da perfeita reconexão com Ele nos alcançou!


Outro fundamento para afirmar que nosso propósito é para o relacionamento, é o livre arbítrio. Somente seres habilitados com tal capacidade poderiam se relacionar de verdade. O próprio conceito puro de um relacionamento envolve ao menos duas partes. Se não fossemos seres livres, Deus não poderia se relacionar conosco, já que seríamos apenas um reflexo da Sua própria consciência. O livre arbítrio nos capacita a nos relacionarmos.


Ainda outro aspecto interessante que sustenta nosso propósito principal enquanto seres humanos, está na necessidade interna que todos possuem de aprovação. Assim como uma criança busca a aprovação de seus pais, um funcionário de seu patrão, um amigo de seus amigos, um cônjuge em sua companhia e etc. Isto tudo é um reflexo da maior deficiência de aprovação presente na humanidade desde a queda de Adão. A necessidade de aprovação por Deus Pai. Nós fomos criados para glorificar a Deus através de nossas vidas! E esse é o centro de nosso relacionamento com Ele.


Nossas vidas devem produzir glória a Deus! Pois em sua imensidão, Ele se aproxima de nós… E nossa resposta primordial e inevitável deve ser a adoração. O relacionamento com Deus nos leva a adoração diária com nossas vidas! Sejam nossas palavras ou atitudes, Deus se torna o centro de nossa existência enquanto somos ofuscados e engolidos pelo enorme brilho e esplendor de Sua Glória.


Todavia, mesmo que isso soe insatisfatório. Como se estivéssemos desaparecendo e sendo esquecidos nessa condição enquanto Deus recebe tudo. Estranhamente, é exatamente nesta condição que verdadeiramente nos sentimos completos, cheios e vivos. Quando nosso verdadeiro propósito é alcançado, o vazio que possuíamos é preenchido e enquanto Deus recebe a glória - nós recebemos Dele constante plenitude existencial.


Por fim, concluo que na terra realmente não há motivo para a existência e tudo o que fizermos não passará de vaidade. O propósito vem de Deus que transcende esta terra, e é Ele que dá motivo e sentido para viver cada dia debaixo do sol. Quem não conhece a Deus não pode conhecer seu verdadeiro propósito, e quem O conhece tem ainda uma missão aqui.


Pois, se Deus é amor e se entregou por nós, hoje nós, devemos nos entregar por amor a Ele e as muitas vidas que ainda não o conhecem e tem vivido errantes por aí. Assim, temporariamente, a pregação das boas novas do evangelho de Cristo tornam-se o propósito terreno de todos aqueles que dizem conhecer o Senhor.

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