A INDISPENSABILIDADE DA FÉ
- Kalebe Ulle
- 31 de mai. de 2023
- 4 min de leitura
“No sentido mais amplo, a fé em alguma visão do mundo e da natureza humana está presente na vida de todos. Todo mundo vive e age a partir de uma identidade narrativa, quer seja elaborada e objeto de reflexão, quer não… Qualquer retrato de uma vida humana feliz que ‘funcione’ resultará necessariamente de crenças cristalizadas sobre o propósito da vida humana. Mesmo os pragmáticos mais seculares chegam ao debate com compromissos profundos e avaliações narrativas do que significa ser humano.” - Timothy Keller em A Fé Na Era Do Ceticismo (pág. 42).
E quando falamos a respeito de fé, o termo religião é quase que instantaneamente trazido à conversa. Neste tema, poucos conseguem realmente definir ou atribuir seu correto significado. Contudo, deparei-me com uma das melhores definições de religião nas palavras de Keller:
“Um conjunto de crenças que explicam o que é a vida e quem somos, bem como as coisas mais importantes nas quais os seres humanos deveriam empregar seu tempo. Por exemplo, alguns acham que existe somente este mundo material, que estamos aqui por acidente e quando morremos apenas apodrecemos; logo, o importante é escolher aquilo que nos faz felizes sem permitir que outros nos imponham suas crenças. Observe que, embora não seja uma religião explícita, ‘organizada’, ela contém uma narrativa-mestra, uma avaliação do sentido da vida juntamente com recomendações acerca de como levar a vida com base em tal avaliação.” - Timothy Keller em A Fé Na Era Do Ceticismo (pág. 41).
Além deste destaque para o conceito de religião, vale também explanar a declaração de John Sommerville à respeito do julgamento religioso:
“Uma religião só pode ser julgada a partir da perspectiva de outra.” - C. John Sommerville (The Decline Of The Secular University; Oxford, 2006.)
A fé é um valor que não se pode excluir da vida cotidiana. Quem quer que seja, em qualquer região do mundo que se encontre, continuará dependendo da fé para inúmeras situações da vida. Seja nas informações que recebe de terceiros, na sua cosmovisão, ou ainda no próprio fundamento básico da vida (os padrões éticos e morais). Até os mais céticos e pluralistas dependem da fé para firmarem-se em seus preceitos exclusivistas de aparência simplista.
A fé é talvez a qualidade essencial mais negligenciada da atualidade. Quando comparamos sua indispensabilidade e sua negação em massa, é inevitável que cheguemos a tal percepção.
Diante disso tudo, me lembro do texto de Hebreus 11:6:
“Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam.”
A fé é crucial para o relacionamento com Deus e sem ela é impossível agrada-lo! A fé é uma exigência para todo aquele que deseja se aproximar de Deus!
Agora tudo ficou claro! Essa cultura anti-fé e pró-razão visa o afastamento consequente da humanidade de Deus. O diabo, enquanto príncipe deste século, promove a desmoralização e a ridicularização da fé em comparação com as “certezas” propostas pela razão humanista, tornando tolice aos nossos olhos a mera menção das palavras “crer” ou “acreditar”. Um exemplo cotidiano é o pré-julgamento imediato que temos ao ouvir de qualquer jornal a expressão “os fiéis”. Esta parece carregar automaticamente uma idealização abstrata pejorativa de pessoas tolas e ignorantes.
Diante desse contexto, a Bíblia nos faz uma pergunta:
“…Contudo, quando o Filho do homem vier, encontrará fé na terra?" - Lucas 18:8
Cabe a nós, portanto, preservar a fé enquanto vamos nos alimentando da Palavra de Deus e cultivando óleo. O Espírito Santo em nós fortalece-nos a fé todos os dias, enquanto nutrimos um relacionamento de intimidade com Ele. A piedade e a devoção são também auxiliares poderosos neste desafio.
“E, assim, a fé vem pelo ouvir, e o ouvir, pela palavra de Cristo.” - Romanos 10:17
“Assim também a fé, se não tiver as obras, está morta em si mesma.” - Tiago 2:17
Além disso, foi nos dada a instrução de crescer em fé! Cabe a nós não apenas cultivá-la e defendê-la, mas também desenvolvê-la! Há espaço para crescimento!
“Sempre devemos, irmãos, dar graças a Deus por vós, como é de razão, porque a vossa fé cresce muitíssimo e a caridade de cada um de vós abunda de uns para com os outros…” - 2 Tessalonicenses 1:3
“Não nos gloriando fora de medida nos trabalhos alheios; antes tendo esperança de que, crescendo a vossa fé, seremos abundantemente engrandecidos entre vós, conforme a nossa regra…” - 2 Coríntios 10:15
Além destes versículos claros, o próprio Jesus estava sempre se referindo a fé das pessoas em níveis. Enquanto uns tinham pouca, outros tinham muita (Mateus 8:10; Mateus 14:31). A insistência de Jesus nesse tópico com seus discípulos, revela seu profundo desejo de desenvolver a fé dos seus.
Em suma, concluo que a fé está longe de ser um sinônimo de ignorância, como o mundo deseja apresentá-la. Pelo contrário, assumir e reconhecer sua “identidade narrativa” é o primeiro passo em direção a sabedoria. Além disso, dentre as muitas crenças, a fé em Cristo, produz a única e verdadeira religião, clamando sim a exclusividade da verdade. Tal crença não é estática, mas dinâmica, visando sempre o crescimento constante.




Comentários