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QUE FARDO ESCOLHEMOS CARREGAR? (DEVOCIONAL)

  • Foto do escritor: Kalebe Ulle
    Kalebe Ulle
  • 18 de nov. de 2022
  • 3 min de leitura

Atualizado: 24 de jan. de 2023

JOÃO 3:1-21


Nicodemos encontrava-se entre a seita dos fariseus. Diante dos diversos ritos e das muitas tradições, procurava a redenção por meio do mérito e da piedade. Seu ego sustentava-se na esperança de que; o orgulho de uma vida externa dedicada, usurparia o lugar de supremacia da sua consciência interna que o acusava.


Já acostumado à vida pragmática, algo incomum deixou seu coração inquieto. Um homem simples, mas de feitos extraordinários. Pode um homem cego de nascença passar a ver? Pode um surdo voltar a ouvir? Como pode um paralítico andar repentinamente após a ordem de um simples ser humano?


Em sua mente quase enlouquecida, Nicodemos guardava tudo o que havia comtemplado, e racionalizava consigo mesmo à busca de uma resposta. Quem será este homem, e o que ele realmente tem a dizer?


Contudo, como poderia chegar a uma resposta descente sozinho? Nicodemos sabia que precisava questionar pessoalmente o tal homem que alvoroçara toda a cidade. Descobrindo o nome daquela figura cativante; “Jesus”, conseguiu um encontro as escuras da noite. Afinal, como poderia um fariseu ser visto dialogando a essência de sua fé com um homem comum e polêmico.


No simples início da conversa, enquanto Nicodemos expunha sua reflexão e conclusão sincera. Jesus, com palavras simples, o deixa inimaginavelmente confuso. Como pode um homem nascer de novo sendo velho? Porventura pode ele voltar ao ventre materno e nascer uma segunda vez? O que este homem quer dizer? Isso não é logicamente possível!


No entanto, Jesus começa a destilar palavras após palavras, tocando o íntimo deste fariseu perplexo. Que homem é esse que fala com tamanha autoridade… tamanha propriedade.


Aquele homem singular escancarara o grande abismo que havia dentro do coração de Nicodemos. O julgamento. A acusação. A natureza intrínseca ao mal. Nicodemos buscava a absolvição de seus pecados por meio da devoção e dos atos de piedade. A sensação de dar esmolas e a religiosidade, mascaravam momentaneamente a dor moral e excruciante que gritava de forma ensurdecedora por justiça.


Diante disso tudo que se passava, Jesus afirma:


“…Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más. Pois todo aquele que pratica o mal aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem expostas as suas obras”.


Talvez, assim como Nicodemos, muitos de nós temos vivido de aparência, algo meramente superficial. Enquanto por dentro, onde a luz não chega, e ninguém mais pode ver, escondemos a existência de uma dor profunda sustentada por uma acusação incessante.

Dor essa, que traz consigo um senso próprio de impunidade e culpa. Fato é que, independente do que se faça, nunca parecemos alcançar o perdão e a restauração completa à neutralidade e à paz de espírito.


Jesus, no entanto, nos oferece a solução que jamais conseguiríamos sozinhos – o perdão. Enquanto perdoar-se a si mesmo nunca parecia suficiente, receber o perdão daquele que assumiu nossa culpa funciona perfeitamente. O simples gesto de retirar uma carga do ombro de alguém e a colocar sob o ombro de outra demonstra perfeitamente o que acontece. Cristo, o Filho de Deus, assumiu nosso lugar, e tomou sobre si todas as nossas dores, todas as nossas culpas e todas as nossas transgressões para que a justiça divina se saciasse Nele.


Hoje, todo aquele que crê em Jesus, apropria-se do perdão e da graça que estavam sobre ele. A troca entre nosso pesado fardo de acusação (por meio do qual inevitavelmente seríamos julgados), com o fardo leve da graça e restauração, nos conecta novamente com Deus em estado de santificação e consciência limpa. O cansaço e a sobrecarga de culpa que carregamos por todos estes anos, e pareciam parte inevitável da vida, agora são aliviados pelo poder do perdão.


Perdão de um Deus que foi humilde o suficiente para abrir mão de tudo, se tornar homem em carne, assumir nosso fardo, e receber em seu próprio corpo o castigo que não merecia. Por meio desse amor, o perdão nos alcançou. Diante de tudo isso…

Escolheremos viver carregando nossos próprios fardos?


Continuaremos tentando pagar o preço de nossos pecados por meio de atos insuficientes de religiosidade?


Continuaremos tentando aliviar nossa consciência por meio de boas obras?


“Vinde a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” – Jesus. (Mt 11:28-30)

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