AQUELE QUE MAIS AMA (DEVOCIONAL)
- Kalebe Ulle
- 13 de jan. de 2023
- 6 min de leitura
Atualizado: 24 de jan. de 2023
Lucas 7:36-50
“Convidou-o um dos fariseus para que fosse jantar com ele. Jesus, entrando na casa do fariseu, tomou lugar à mesa. E eis que uma mulher da cidade, pecadora, sabendo que ele estava à mesa na casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com ungüento; e, estando por detrás, aos seus pés, chorando, regava-os com suas lágrimas e os enxugava com os próprios cabelos; e beijava-lhe os pés e os ungia com o ungüento. Ao ver isto, o fariseu que o convidara disse consigo mesmo: Se este fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, porque é pecadora. Dirigiu-se Jesus ao fariseu e lhe disse: Simão, uma coisa tenho a dizer-te. Ele respondeu: Dize-a, Mestre. Certo credor tinha dois devedores: um lhe devia quinhentos denários, e o outro, cinqüenta. Não tendo nenhum dos dois com que pagar, perdoou-lhes a ambos. Qual deles, portanto, o amará mais? Respondeu-lhe Simão: Suponho que aquele a quem mais perdoou. Replicou-lhe: Julgaste bem. E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; esta, porém, regou os meus pés com lágrimas e os enxugou com os seus cabelos. Não me deste ósculo; ela, entretanto, desde que entrei não cessa de me beijar os pés. Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta, com bálsamo, ungiu os meus pés. Por isso, te digo: perdoados lhe são os seus muitos pecados, porque ela muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama. Então, disse à mulher: Perdoados são os teus pecados. Os que estavam com ele à mesa começaram a dizer entre si: Quem é este que até perdoa pecados? Mas Jesus disse à mulher: A tua fé te salvou; vai-te em paz”.
Jesus apresenta um aspecto muito importante para todo aquele que deseja viver uma vida incendiada de amor por Ele. Aquele que mais ama, é também aquele que mais foi perdoado.
Quando reconhecemos o tamanho de nossas falhas e como somos terríveis, o sacrifício de Cristo se torna imprescindível e um ato de pura misericórdia. Quando eu entendo verdadeiramente minha condição diante de um Deus perfeito, meu coração responde de volta em amor - expondo toda a gratidão pelo perdão imerecido.
O grande problema é que muitas vezes buscamos amenizar nossa culpa e diminuímos o tamanho de nossas dívidas. Consequentemente, o sacrifício de Cristo tem menor expressão e é facilmente tratado de forma trivial.
A banalização da obra da cruz não consiste apenas na desmoralização descarada do ato, mas também na sútil desvalia da mesma.
~Tornar algo banal significa tornar algo corriqueiro, comum, e sem importância.~
Quando tentamos restringir e reprimir o tamanho de nossos pecados, reduzimos também o tamanho da dívida que eles carregam em nossas mentes (um clássico movimento de uma alma culpada em busca de alívio na consciência). No entanto, quando a dívida se torna pequena, o preço pago é de baixo valor. Assim, a morte sacrificial de Cristo perde o seu valor para nós de forma sútil, assemelhando-se a significância de uma pequena planta em meio a floresta.
O mal que muitos cristãos enfrentam nesta área, por muitas vezes é fruto da busca por alivio através da comparação com outros. O ruim se compara a quem pensa estar pior para se sentir melhor e mais digno - um erro grosseiro.
A exemplo, vale citar o texto de Lucas, capítulo 18, dos versos 9 a 14:
"Propôs também esta parábola a alguns que confiavam em si mesmos, por se considerarem justos, e desprezavam os outros: Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um, fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho. O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado”.
O fariseu queria se justificar por meio da condenação de “pecadores” como o publicano, ao invés de reconhecer e se arrepender de suas próprias falhas. Enquanto o publicano reconhecia seus pecados e ansiava pela misericórdia divina.
Contudo, o erro não é a comparação em si, mas sim os elementos desta. Deixe-me explicar…
Paulo diz em Romanos 7:7: “Eu não saberia o que é pecado, a não ser por meio da Lei”. Ou seja, só posso saber se estou errado quando evidencio o certo e os coloco lado a lado em comparação. O certo expõe a discrepância do que está errado. Desta forma, mesmo que a palavra comparação não apareça de forma explícita; aparece de forma implícita.
Comparação define o ato de analisar dois termos em paralelo para determinar diferença, semelhança ou relação. Quando Paulo afirma ter conhecimento do pecado por meio da lei, sugere claramente um paralelo de diferenciação entre lei e pecado.
No entanto, assim como uma experimentação científica precisa dos elementos certos para uma boa conclusão, assim também uma comparação saudável precisa dos elementos certos para produzir um resultado confiável. Quando estes elementos estão errados, a comparação se torna maléfica.
Quando nos comparamos com nossos irmãos em Cristo, geramos uma competição não saudável, imatura e catastrófica. Os frutos deste tipo de comparação errônea são comumente maléficos e inconsistentes. A tomar por exemplo o conselho de Paulo em 1Co 12:14-27.
"O corpo não é feito de um só membro, mas de muitos. Se o pé disser: ‘Porque não sou mão, não pertenço ao corpo’, nem por isso deixa de fazer parte do corpo. E se o ouvido disser: ‘Porque não sou olho, não pertenço ao corpo’, nem por isso deixa de fazer parte do corpo. Se todo o corpo fosse olho, onde estaria a audição? Se todo o corpo fosse ouvido, onde estaria o olfato? De fato, Deus dispôs cada um dos membros no corpo, segundo a sua vontade. Se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo? Assim, há muitos membros, mas um só corpo.
O olho não pode dizer à mão: ‘Não preciso de você!’ Nem a cabeça pode dizer aos pés: ‘Não preciso de vocês!’ Ao contrário, os membros do corpo que parecem mais fracos são indispensáveis, e os membros que pensamos serem menos honrosos, tratamos com especial honra. E os membros que em nós são indecorosos são tratados com decoro especial, enquanto os que em nós são decorosos não precisam ser tratados de maneira especial. Mas Deus estruturou o corpo dando maior honra aos membros que dela tinham falta, a fim de que não haja divisão no corpo, mas, sim, que todos os membros tenham igual cuidado uns pelos outros. Quando um membro sofre, todos os outros sofrem com ele; quando um membro é honrado, todos os outros se alegram com ele.
Ora, vocês são o corpo de Cristo, e cada um de vocês, individualmente, é membro desse corpo”.
Somos todos membros diferentes do mesmo corpo, onde cada um possui sua própria função. A comparação jamais será justa. Contudo, ainda que tivéssemos funções semelhantes, cada individuo possui um nível de maturidade correspondente a sua caminhada particular com Cristo. Comparar alguém maduro na fé com um neófito é no mínimo incabível.
Outro erro comum é o de nos compararmos com o pior conceito que temos de pecador, frisando a mensagem de que “não somos tão ruins assim”. O texto já citado de Lucas 18 mostra isso - Um fariseu (judeu que, em senso comum, considerava publicanos e prostitutas piores que gentios; os quais já eram apelidados de “cães”), utilizando de tais figuras para se sentir melhor e mais santo diante de Deus.
Sendo assim, Qual tipo de comparação é valida? Existe comparação saudável? Sim!
“até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo”.
Efésios 4:13
Jesus Cristo! A este devemos nos compara sempre, todos os dias. Somente por meio desta comparação alcançaremos crescimento e maturidade verdadeira. Assim como conhecer o certo (a Lei) fez com que enxergássemos o errado (o pecado); conhecer a Cristo nos levará a conhecer verdadeira proporção de nossas falhas. A plenitude de Cristo deve sempre ocupar o outro lado deste paralelo com nossas vidas.
Quando nos comparamos a Cristo; o homem perfeito! Altruísta! Humilde! Sem pecado! Filho do qual se comprazia o coração do Pai! Que nos sobra?
O que dizer de nossas imperfeições? Nossos erros que pensávamos ser pequenos, mostram a falta profunda de integridade em nossos corações. Assim como o aumento da exposição a luz revela imperfeições que antes não enxergávamos… Quando nos colocamos em paralelo com Cristo, Todas as nossas imperfeições ganham foco.
Somente assim poderemos nos identificar com o que Paulo escreveu em sua primeira carta a Timóteo, no capítulo 1, versículo 15:
"Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal”.
Minha capacidade de reconhecer o tamanho das minhas falhas influenciará diretamente no tamanho do amor que tenho por Ele. E se somos tão ruins, alto foi o preço pago! Quanto maior o débito, maior o perdão! E quão grande era o débito…
Desta forma, quando há reconhecimento verdadeiro, um sentimento nasce de forma repentina e é quase que involuntariamente incorporado. A gratidão assume muitos formatos; choro, risos, soluços, abraços, declarações, promessas… Mas acima de tudo, nos proporciona a maior resposta de amor que podemos dar.




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