A IDOLATRIA PÓS MODERNA
- Kalebe Ulle
- 25 de nov. de 2022
- 4 min de leitura
Atualizado: 20 de fev. de 2023
Quando posicionamos Deus dentro dos nossos conceitos, moldando-o ao nosso próprio entendimento partidário, limitado e inconstante. Fazemos do mesmo, uma deidade própria e personalizada, para a específica satisfação do ego e substituição incompleta da necessidade de aceitação pelo Ser Criador Supremo.
Assim, a verdade perde seu valor fundamental de realidade, e a realidade se torna subjetivamente o que quisermos. Reconhecemos o anseio de sermos aceitos por Deus, no entanto, incapazes de superarmos o próprio ego, usurpamos a imagem real e o transformamos em algo mais flexível, optando por aceitação à verdade.
Nos tornamos então, os criadores de uma mera imagem abstrata projetada no fundo de nossas mentes sem valor factual algum.
Neste ponto, é fácil perceber que o ídolo apenas reflete nossos próprios desejos em uma resposta de auto suficiência às custas da verdade.
Mas por quê alterar o conceito de Deus ao invés de extinguí-lo por completo?
Porque no fundo de nossas consciências, sabemos de sua existência! O conceito de “Deus” sempre esteve presente nos mais diversos grupos de convivência humana ao longo de toda a história humana. E muito além de uma simples resposta insuficiente e evasiva ao desconhecimento (como muitos ateus gostam de afirmar), isso parece intrínseco à nossa natureza desde o início da existência.
No entanto, alguns ainda preferem o caminho mais simplista da negação por completo. Afirmando: “Deus não existe!”. Diante disso argumentam: “deus” era o recurso psico-linguístico utilizado para explicar o desconhecido; um refúgio do medo e da ignorância. Estes sugerem que conforme a ciência avança, o conceito de “deus” se torna cada vez mais obsoleto.
Contudo, apesar de parecer extremamente lógico, esse argumento não pode se auto-sustentar. Ele falha em seu próprio fundamento. O estudo científico se baseia na ordem e procura leis e lógicas no mundo ao redor. Para que tudo o que existe tenha ordem, é preciso que haja uma mente planejadora. Caso o contrário, pressupõem-se caos e não ciência.
Não é logicamente plausível que algo “não inteligente” como um objeto ou uma mistura explosiva de substâncias, instantaneamente crie ordem do meio do caos. Complexidade ordenada derivada de um acidente sem envolvimento de inteligência proposital, é ilógica e irracional.
Outro aspecto de discordância lógica é que; leis só podem ser dadas por um legislador. Sejam elas, leis de ética e moral, ou ainda leis naturais. Fato é que, leis são criadas, pensadas, desenvolvidas... Não são fruto de acidente. E se nascem de maneira lógica, necessitam de um criador.
Em resumo, mesmo que todos os ingredientes necessários para se montar um bolo estejam reunidos em um mesmo local. Caso não haja a interferência de uma mente projetista com a intenção de criar o bolo, ele nunca se tornará realidade. Complexidade estrutural requer inteligência objetiva criativa.
Crer que podemos fazer ciência e não precisamos de Deus como justificativa, é o mesmo que crer em um milagre. Afirmar que ordem, complexidade estrutural e criatividade podem surgir espontaneamente do completo caos, contraria todos as leis lógicas que nos cercam. Já que, ao nosso redor - nunca pudemos observar tal teoria se materializando.
Se precisamos de Deus para exercer a lógica, então jamais poderemos utilizar da lógica para contraprovar Deus. Ele é racionalmente necessário.
Assim, como não podemos extinguir o conceito divino de nossas consciências de maneira consistente e confiável. Muitos, em sua egolatria e incapacidade de aceitar a verdade, buscam alterar a conceito pessoal personalizado que tem deste Deus transcendente.
Transformando o “deus inevitável” em um “deus aceitável”. A idolatria pós moderna, sustenta-se na veneração interna de uma imagem divina mental. Projetada através de nossos próprios desejos, enganando o resquício de consciência moral e sustentando a auto-adoração disfarçada.
Como resultado final, enganamos a nós mesmos e idealizamos um deus falso, ao nosso alcance, que nos aceite sem nos apontar nossas falhas que tanto nos incomodam e não conseguimos reconhecê-las. Por vezes, tal ídolo ainda assume sutilmente a identidade do Deus verdadeiro. A nova idolatria é apenas uma releitura da antiga. Reparemos na descrição bíblica do bezerro de ouro levantado pelo povo de Israel no deserto.
"Mas, vendo o povo que Moisés tardava em descer do monte, acercou-se de Arão e lhe disse: Levanta-te, faze-nos deuses que vão adiante de nós; pois, quanto a este Moisés, o homem que nos tirou do Egito, não sabemos o que lhe terá sucedido. Disse-lhes Arão: Tirai as argolas de ouro das orelhas de vossas mulheres, vossos filhos e vossas filhas e trazei-mas. Então, todo o povo tirou das orelhas as argolas e as trouxe a Arão. Este, recebendo-as das suas mãos, trabalhou o ouro com buril e fez dele um bezerro fundido. Então, disseram: São estes, ó Israel, os teus deuses, que te tiraram da terra do Egito. Arão, vendo isso, edificou um altar diante dele e, apregoando, disse: Amanhã, será festa ao SENHOR. No dia seguinte, madrugaram, e ofereceram holocaustos, e trouxeram ofertas pacíficas; e o povo assentou-se para comer e beber e levantou-se para divertir-se." Ex 32:1-6
Não satisfeitos em produzir sua própria deidade como um subproduto de seus pertences. Passam a chamá-lo de Yahweh. Decidem dar a identidade do Deus verdadeiro para um ídolo falso sem história. E pronto! Agora, escondido atrás de uma máscara, o ídolo alcança a maximização do seu potencial de engano. Uma projeção de nossos anseios e desejos exposto em formato divino recebe adoração secretamente enquanto a consciência ferida é anestesiada pela máscara que enxerga.
Logo, consequentemente, confiemos no conceito que as Escrituras nos trazem sobre Deus (através de uma boa hermenêutica e exegese). Onde, independentemente da maleabilidade de nossas soluções sapienciais - Deus é, sempre foi e será eternamente imutável. O eterno criador e legislador do universo. Um ser intencional, pessoal e relacional.
Por fim, reconheçamos nossa natureza e intelectualidade caída em humildade, para que, finalmente, alguém além de nós mesmos possa assumir o lugar de primazia em nosso ser.




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